quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Renascimento

Morri durante alguns meses

Morei dentro de um vaso de violetas murchas

E então seriam as dores sujas

As mesmas que limpavam fundilhos?

Séria de arear ladrilhos

Sorria ao zombar da puta

Mas eu não suportaria a fuga

Não, assim, iria ao cru, sozinha

E não comeriam as rosas minhas

Se não fosse suco bondoso e casto

Fosse real, rascante, venenoso, o frasco

E, ainda insuportavelmente, fosse fraco

Daqueles de suicidar-se aos poucos.




Escarlet

sábado, 6 de junho de 2009

Fruta madura

Hora de me separar por conseqüência lógica verdadeira. E minha gastrite estourava a cada hora de misturar as coisas quando você suportar lutas, lutas... Querer mais um pouquinho dizer: – de mocinho, a cada vez que pousava, suavemente, a sua mão onde nunca ousara. É antes de meus arrepios na nuca e de desquitar-te de meus postergares de verdades, para cuspir ao chão corpo que despertasse – e de como nem mesmo nada você não via o corpo que., de só aprendi a - se eu escarros eu sustentava, e guardava, no espelho corroído do corredor. É Este que me invadiram e de misturar as coisas. Dizer: Não Não.. invadem e, , tudo o de ruim que de para e esse porte vez, os hora mais permanecia no chão, me puxando aprendi a incorporar que De reclamar daquele puxão velho nos calcanhares e daqueles senis acanhares mais – querendo mais um pouquinho e (lutas, você deriva e derivou. E vou... falar de daquele café velho me importunava mais que a sua hirteza. Assim como não me desinteressava mais o espelho por estar gasto do que por me dizer mentiras uma vez que...
Escarlet

sexta-feira, 29 de maio de 2009

E hoje é amargo
O café puro no estalar dos dentes
O puro desgosto, o oposto
Da desgastada pureza infantil dos meus amores
E esgotada asneira de esperar mais sem mais
Hoje é agosto
É mês que rasga o ano em pedaços desiguais
Um pedaço que passou – passado
E um pedaço que me restou de mim mesma, podre, passado.





Escarlet

sábado, 23 de maio de 2009

Hoje é batom
É cantarolar jogando água nas plantas
É filme da Disney
-Passarinhos assoviam no parapeito da janela-
É sorrisinho
É moinho de sensações – Vento e sopro
É lembrar-se de uma cena, desengonçada, de ontem e...
É sorrisinho
É cabelo penteado com cuidado, mas sentindo falta daquele despetalar
Daquele hálito
Daquele grosso encanto
De delicado sussurro
E tuas hipnoses de maçãs e cebolas
E comer todas
E não escolher uma
Hoje é me jogar no sofá
E só fazer suspiro...

Com clara de ovos, raspas de limão
E açúcar e açúcar e açúcar.




Escarlet

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Corpo culpado

Ah! Minha coluna de abaixar e pegar coisas
Encostada à coluna da sala de estar
Estando ela descascada
E em mim
Minhas unhas sem fazer
De semanas inteiras
De lavar troços e tranqueiras e porcarias e afins
Meu cabelo ensebado, oleoso de dormir
Minhas rugas de travesseiro
Meus lábios secos e ásperos
Meus urros, meus solavancos, meus tropeços em meus tamancos, meus pelos pretos nascendo em lixa, minha carne não revisitada
Meu gosto de miséria e de nada
Meu corpo é culpado pela minha campa.



Escarlet

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Marisquei durante a vida
Uma vida em um videiro
E encontrei logo e primeiro
A videira e a raposa
A mourisca do douro
E a dourada canina
Dançavam em torno
Das minhas retinas
Repentinas novelas
E novelos de lã
E lá se foram elas
No ápice do afã
E ainda no comigo
Eu durmo e sonho
Que há vida escondida
E um videiro, suponho.



Escarlet

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Entre sozinho
Sem bater a porta
Das minhas costas largas que largaste um dia
A vida ainda, entreaberta, gosta
De qualquer choro em qualquer melodia
Pendure o seu casaco
Nos meus braços
De tantos abraços perdidos à nostalgia
Meus passos de ficar parada mostram
Que o meu sossego é só por fantasia
Feche a porta, amor
Quando entrar
Tome do café que fiz só para mim
E fique o tempo que quiser ficar
Já me acostumei em ser assim
Você saindo e eu olhando os postes
Apagando em mim as luzes da rua
E se um dia você quiser voltar, volte!
Entre sozinho, amor
Ainda sou sua.




Escarlet